Mamãe tinha um sonho, viver em Paris ser escritora, ou fazer de algo relacionado à arte. Seu sonho não pode ser cumprido, aliás mamãe não tivera mais sonhos e nem como sonhar, desde que...
- Não, não é assim. Se quiser trabalhar como sua mãe, eu te ajudo. – Disse a professora da aula de pintura, num tom nada ameaçador, porém num gesto de análise. Tinha ela uma voz doce e triste, como alguém que sente a alma vazia, talvez seria porque Dona Luíza fosse tão só.
- Eu não aprendo , já tentei de tudo! – Sabíamos que o sonho de grande pintor não nasceu de minha imaginação. Cá entre nós, eu não tinha talento nenhum!
Ela então olhou em meus olhos, segurou em minha mão - como a gente faz com criança. Pegou o pincel junto comigo, e o levou para cima e para baixo. Aos poucos aquele quadro imaturo, sem vida, foi ficando cada vez mais real. Era como se as rosas estivessem se sobressaindo, o lago ao fundo reluzia a luz do sol ardente do verão. As folhas verdes das árvores eram cada vez mais reais. Lá no horizonte bem discreto viam-se pequenas casinhas formando uma cidadezinha muito simples, mas que não deixava de ser tão atraente como o cheiro que sentia das rosas pelo ar – Ah, que rosas eram aquelas! Eram como se estivessem saindo do quadro direto para minhas mãos. Tão vermelhas, macias, mágicas, tão... tão cheias de vida!
Mas aquele sonho que não era meu, eram apenas lembranças d’alma de uma criança carente. Carente e só. Mas não é a mesma coisa? Não, não era. Uma criança sem esperanças não teria motivos para existir...
O pincel cai sobre o quadro, o que aconteceu comigo? Tudo escureceu.

2 comentários:
Julia *_____* que conto lindo!
Amiga vc é demais! =)
Isso nem chega a ser um 'conto'. mentiroooooosa, fica me iludinho ai!kk'
♥
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